Pré Conceitos Literários

20 de abril de 2013

Em algum desses dias nublados e chorosos, fui ao banco para pagar algumas
E se Audrey Hepburn lesse
Paulo Coelho?
contas para meu pai, e, como é um saco ficar esperando horas e horas na fila sem ter nada para fazer, aproveitei e levei o meu exemplar de "Na margem do Rio Piedra, sentei e chorei" do Paulo Coelho, e o comecei a ler freneticamente enquanto esperava sentada a minha vez de ser atendida. Eis que, alguns minutos depois, surge uma criatura ao meu lado, analisando o meu livro e depois a mim de uma maneira nada discreta, até que enfim tomou coragem e ousou me perguntar com as seguintes palavras
: "hum, você gosta do Coelho?", falando isto com cara de que acabou de sentir um cheiro de leite azedo vindo da cozinha. E eu, usando a minha mais alta bondade e educação, respondi com sinceridade um simples e direto ''sim'', e perguntei se ela havia lido alguma coisa dele. Com toda graça de uma hiena, ela fez questão de responder de nariz em pé que não, mas já tinha lido criticas horríveis sobre O Alquimista, e achava que era uma pena que Paulo Coelho fosse tão conhecido no mundo inteiro enquanto há outros escritores brasileiros MUITO MELHORES e MUITO MAIS COMPETENTES mas não reconhecidos mundialmente. Ai chegou minha vez, paguei minhas contas e fui me embora, sentindo-me aliviada por me livrar de uma presença tão desagradável. 

Masss, como meus neurônios não param de funcionar um segundo sequer GRAZADEUS!,  fiquei remoendo o que aquela criatura tinha me dito. Não que eu me importasse com o que ela  disse, pois eu já tinha lido e ouvido varias criticas negativas sobre o Paulo Coelho, mas sim sobre o não ter o conhecimento de algo e mesmo assim afirmar com tanta convicção que algo é bom ou ruim, só por causa da opinião dos outros. 

Para  vocês se situarem no meu devaneio, eu li pela primeira vez um livro do Paulo Coelho quando tinha uns doze/treze anos, nunca tinha lido ou escutado algo negativo sobre ele até então, só peguei um livro dele na biblioteca aleatóriamente na maior inocência possível. Eu o li, gostei, comprei outros, e por ai vai. Mas e seu eu tivesse conhecimento da opinião geral sobre o autor eu teria gostado tanto do livro? Será que meu julgamento sobre a narrativa ou história do Coelho, seriam as mesma que tenho hoje? 

Muito provavelmente que não, meus caros leitores. 

E eu sei disso porque eu tenho um pouco daquela mulher, e você também. Exemplo disso, é o tão comentado "50 tons de cinza", que eu nunca li, mas mesmo assim tenho um pré julgamento formulado no meu intimo. Já vi tanta gente falando mal (quando me refiro gente, digo canais literários, resenhas e/ou de pessoas que me identifico e admiro) que me sinto no dever de não gostar dos livros. E se por acaso eu ler, tenho certeza que meu subconsciente vai chegar e dizer "Você não deve gostar desse livro porque a maiorias pessoas que você acompanha diz que é uma bosta" e mesmo que eu tenha uma paloma maníaca viciada em sexo masoquista em mim, vou reprimi-la e dizer um belo "NÃO GOSTEI" até pra mim mesma. 

Então, se eu tivesse lido Paulo Coelho com a toda a bagagem critica sobre ele que eu tenho hoje, provavelmente detalhes que não me incomodam, iriam me incomodar profundamente fazendo com que eu jogasse na parede o "Onze Minutos" e nem iria ler os outros.  

Mas antes que algumas pessoas venham me questionando, é claro que não é porque você não gostou de um livro, necessariamente você foi influenciado pela opinião alheia. Eu só estou dizendo, que devemos (ou deveríamos, ao menos) conhecer as coisas antes de julgá-las boas, ruins ou regulares. E se você gostar, mesmo que meia internet ache ruim, não se influenciar por isso e não se achar a pior pessoa do mundo só porque gostou de Crepúsculo ou 50 tons. 

Vamos tentar enfiar em nossas mentes que NINGUÉM NO MUNDO é obrigado a ler Cem Anos de Solidão, Dom Casmurro ou 1984 e gostar, porque senão essa pessoa é ignorante demais e só sabe seguir as massas. Vamos parar de julgar também né, galera? E você, que gosta de algum livro odiado ou zoado por todos os cultos das internet, não se acanhe, admita que gosta e diga o porquê sem ter medo, pois isso não te faz menor do que qualquer pessoa. 

UPDATE: Quero agradecer a todos os elogios, e principalmente Professor Banger e ao próprio Paulo Coelho, que elogiaram e divulgaram o texto e automaticamente o blog! Muito obrigada mesmo!

14 comentários:

  1. Posso dizer que assino embaixo de tudo que você escreveu? Só li um livro do Paulo Coelho e ele está nos meus favoritos, amei crepúsculo quando li e etc, também já li 1984, Dom Casmurro e também adorei. Acho que a gente anda se preocupando demais com o que pensam da gente que lê tal livro ou o que pensam sobre certos tipos literários e estamos esquecendo de aproveitar a leitura em sim, independente se foi Dostoiévski que escreveu ou Stephenie Meyer.
    Beijos

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  2. Verdade! Acho que o importante na real é LER, não importa o que. A gente está vivendo numa sociedade tão precária de leitores, que deveríamos valorizar os pingos restantes em nosso país. Mas não, muita gente ainda despreza muito deles por não ter gostos iguais aos seus. E isso nao ocorre somente em livros pra falar a verdade. É triste ver isso!

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  3. Ei Paloma, sou a prova viva de que não vou muito pela opinião dos outros. li este livro "Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei" ano passado, foi o primeiro de Paulo Coelho que li.

    E li já sabendo das tais criticas a ele. Bom, gostei tanto do livro que fui pegar na mão de minha namorada o alquimista (belissimo), 11 minutos, que é o livro dele que ela mais gosta, e muito bom também por sinal. e estou aqui com aquele de Cannes (esqueci o nome agora, rss).

    antes que você pense que eu sou um alien na terra disfarçado, rsss. eu concordo contigo que criamos resistência a algo quando alguém ou um grupo de pessoas que confiamos critica.

    Eu mesmo já me peguei tendo resistência a algo porque alguém que costumo concordar com seus gostos para filmes e livros fez uma critica a algo que leu ou assistiu. Eu só acho que essa luta é só até a primeira página do livro ou o primeiro minuto de filme. pelo menos é assim comigo.

    Acho o Paulo Coelho sensacional. o modo que ele vê a vida é bem parecido como vejo a minha. e faço esse elogio a ele tendo ouvido as varias criticas negativas a arte dele, ou até a ele mesmo. Pessoas, que tenho quase a certeza que nunca o conheceram e provavelmente não leram seu livro ou leram com essa resistência. Não que todos tenham que gostar, tem muita coisa que pessoas que confio dizem que é ótimo e eu não consigo engolir.

    Uma outra coisa que me fez mudar um pouco de ideia sobre as criticas que alguém aqui no país recebe tem haver com um jornalista esportivo, Rica Perrone (não é o da Uol e da Folha, é outro que utiliza blog apenas). ele é bem firme em suas opiniões e até por isso costuma ser polêmico, enfim, ele sempre comenta que aqui no país é o único lugar que se um brasileiro fica rico, famoso e ou bem sucedido, é criticado, ou melhor dizendo, desvalorizado. e se você parar para pensar, acho que são poucas pessoas que atenda a um desses requisitos (rico, famoso e bem sucedido) e que realmente não tenha sido criticado. Chico Buarque é o nome que mais me vem a cabeça agora.
    é uma pena não? isto me fez sempre pensar duas vezes antes de acreditar em uma critica ou ate de fazer uma.

    desculpas pelo livro. muito bom seu texto.

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  4. Gostei bastante do texto. Engraçado que também li o livro "Na Margem do rio Piedra eu sentei e chorei" esses dias (mas pela enésima vez) e é o meu livro preferido do Paulo Coelho. Tentei ler outros mas não gostei tanto assim, então vamos dizer que sou indiferente a Paulo Coelho.

    Acho que eu sou tão indiferente a opinião alheia que nem procuro saber sobre livros, filmes ou qualquer outra coisa. Mas entendo, como o Paulo César disse acima, que criamos uma resistência ao lermos algo que a maioria da pessoas não gosta, e o seu texto aborda muito bem isso.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Adorei mais este texto...realmente o pre conceito é coisa séria e que pode moldar novos conceitos...gostei como voce abordou o tema e que teve discernimento para não transformar ninguem em vilão...hehehe
    Sempre fui leitora...leio de tudo...hoje não costumo ler é auto ajuda...mas de resto estou lendo...nesta onda altamente conectada...é difícil , algumas vezes, falar abertamente do que gostamos...as criticas são numerosas e não é tão bom ser alvo. Porém é muito importante a reflexão..e para se te-la é necessário a experiencia leitora...só saberemos o que é bom ou ruim , para gente, com o acumulo de leituras.Querida feliz com vc e por você. Receber um elogio do Mago é para poucos...continue escrevendo e eu continuarei lendo seus textos...bjs

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  7. Gostei bastante do texto. O vi compartilhado pelo perfil do Paulo Coelho no Google+, e me chamou atenção. Sobre o tema, estou de acordo com o que disse, pois criamos certa resistência em leituras que podem ser agradáveis somente porque a maior parte das pessoas não gostam, principalmente se as consideramos cultas ou mais inteligente do que nós (como essa mulher, citada no texto).
    Como a professora Katiucha disse acima, você conseguiu abordar o tema sem por ninguém como vilão, pois todos já fizemos isso e é normal. Mas temos que mudar, como você mesmo propõe no último parágrafo. Ninguém é melhor que ninguém só porque leu Guerra e Paz ou Vacas Voadoras.
    Gostei do blog, e se puder vou acompanhar sempre.

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  8. Concordo com o que você disse. S4mpre tem um esperto que paga de intelectual usando a opinião alheia. O Paulo Coelho não é meu escritor favorito, mas já li vários livros dele(inclusive gostei muito de O alquimista quando li). As pessoas são preconceituosas, brasileiro então, é mestre em julgar o que não conhece. Triste isso :(

    ;*

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  9. Nuuu! Quanto coentário auushsuah Bom, então vamos por partes.

    Paulo:
    Pois então, o que eu quis dizer é isso mesmo: criamos uma certa resistência quando lemos algo que muita gente fala mal. Principalmente se é uma pessoa que consideramos de alguma forma. Mas temos que admitir que todos tem gostos diferentes um dos outros, e não devemos ter vergonha de assumi-los. Um exemplo disso comigo foi com o livro "Capitães da Areia". uma amiga minha leu e o odiou com todas as forças possíveis da Terra, e quando fui ler, eu estava toda resistente ao livro, já achando que não iria gostar. Acabou que virou um dos meus livros preferidos. E estou viva, ninguém me jogou pedras.

    E sobre o comentário de Rica, acho que esse lance de brasileiro criticar quem e rico, famoso e bem sucedido, só há duas exceções: quando é pastor ou quando é jogador de futebol, rs.

    Obrigada por vir!

    Lúcia F.:
    Já vi você aqui no blog algumas vezes!! Obrigada por dar as caras por aqui, rs. Então, eu gostei muito do livro. É o meu preferido dele. Li 11 Minutos, Veronika Decide Morrer e O Alquimista, gostei muito de todos, mas esse me marcou por eu ser uma menina que necessita do amor pra viver auushus

    --

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  10. Katiucha:
    Obrigada! Seus comentários são sempre importantes pra minha pessoa. É verdade: acaba que a internet apesar de dar todo o suporte para que você expresse a sua opinião livremente, as vezes o resultado sai ao contrário. Mas isso não deve/deveria ser um motivo para as pessoas deixarem de dar suas opiniões. Defendam o seu ponto de vista, dizendo o porquê gostou, tudo com respeito, e assim vice-versa. Aprender a conviver com o diferente de nós é essencial. Obrigada, não faz ideia o quanto estou feliz haha

    Michael:
    Sério isso????? Meu Deusodocélll juro que não sabia disso. Vou procurar! Minha felicidade aumenta ainda mais usahuh (Bem que eu tinha visto um negócio diferente nas postagens do tipo +48 e não tinha entendido COMO meu blog ficou famoso pelo Google+) Obrigada por informar.
    Acompanhe sim, meu caro! Temos chá e bolachas todos os dias às 17:h, não perca!!

    Gabriela:
    Primeiramente, gostei muito do seu blog, nem acredito que veio me ver por aqui haha Não é verdade? Dá raiva! Se basear na opinião dos outros é muita falta de personalidade. Acho que um bom passo para uma pessoa realmente se tornar sábia, é admitir que não sabe e aprender com suas dúvidas. Não é vergonhoso não saber algo.

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  11. Professor Olivaldo24 de abril de 2013 06:07

    We are a hit!

    --
    Quanto ao texto: não a nada que ainda não tenha sido dito. E o resto, continua sendo, silêncio.

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    1. Professor orolisvaldo você me renega!!!!!!! Vai lá no mundo míope continuar nesse silêncio misteriosa, vai ://

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  12. Realmente muito boa a consideração da Paloma...
    Nessa de ler "o que cai na mão", estou lendo um livro de um Nobel de Economia Daniel Kahneman. O cara é um pesquisador de psicologia e vai descrevendo vários estudos de como o nosso cérebro pode ser influenciado sem nos darmos conta (e daí saíram as ideias para o marketing, bem como de marketing negativo).
    O fato é que somos influenciados tanto positiva como negativamente o tempo todo: faz parte da natureza humana. E é importante, portanto, esse exercício contínuo de humildade (paciência) e revermos sempre nossos conceitos/pré conceitos.

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    1. verdade! O marketing influência bastante e a gente nem percebe. e ás vezes não é nem o marketing da mídia em massa, mas dos nossos amigos, vizinhos, vlogs ou blogs... A gente tem que aprender que somos pessoas diferentes e cada um tem o seu gosto. não precisamos nos martirizar por isso.

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