eu voltei + tag da lua cheia

31 de março de 2018

Dizem por aí que tarde é melhor do que nunca, e como eu sou uma grande devota da sabedoria popular milenar, eu resolvi voltar, mesmo depois de um ano sem dar as caras. Desde que entrei na faculdade as coisas se tornaram complicadas, e por isso fui deixando mais de lado duas coisas que sempre me fizeram bem: ler e escrever. Felizmente, percebi que fazer o que gosta (e que teoricamente não te dá nenhum “retorno”) no meio de tanta coisa atropelada é um ato de resistência e de autocuidado. Então resolvi voltar, sem viola na mão e nem cachorro latindo, mas com a mão coçando e cabeça gritando: por favor, volte para a blogosfera.

Muita coisa aconteceu desde o meu último post. O mundo da internet não está sendo muito gentil com blogs, para meu azar, e praticamente todos que eu seguia ou sumiram de vez ou se tornaram newsletter. O Brasil virou de cabeça pra baixo, Pablo Vittar supostamente vai estampar todas as notas de cem e eu finalmente deixei de ser caloura depois de três anos consecutivos aí na luta. Foram tantas coisas que já me esqueci da maior parte delas, por isso achei que seria legal responder esta tag chamada moon list que eu vi na newsletter da Anna Vitória. Basicamente é uma listinha de perguntas sobre o que aconteceu na minha vida desde a última lua cheia, que ocorre a cada 29,5 (!) dias.

Foi engraçado responder essa lista de perguntas porque Março me pareceu um mês infinito, mas quando coloquei no papel, tive a impressão que eu não tinha feito absolutamente nada. Passada a crise existencial, consegui pensar em algumas coisinhas para preencher cada tópico, e no fim achei a ideia tão legal que pretendo repeti-la todos os meses no meu diário.
                                                                                 
moon list: diários de março de dois mil e dezoito

NATUREZA
Uma experiência íntima com o mundo natural

Faz um tempo que eu sigo algumas pessoas no instagram que praticam uma “dieta” frugívera e vegancrudívora. Eles lançaram uma campanha chamada “Semana Frugi” que consiste em você só comer alimentos crus veganos, principalmente frutas, e bem, eu quis experimentar. Foi uma experiência muito bacana e me fez refletir muito sobre minha alimentação e como ela afeta o meio ambiente, além de ter sido uma semana bem produtiva e com estabilidade emocional. Não aderi ao frugismo, mas estou comendo muito mais frutas e fazendo saladas mais complexas e, modéstia parte, mais gostosas. Ter consciência sobre o que você come é se conhecer, é entender seu corpo.  Contei mais sobre a minha semana na minha conta do instagram, está lá nos “destaques”. 

OBJETO (ANTIGO)
Algo que foi redescoberto ou tenha sido valorizado de um jeito diferente

Este mês tomei coragem de fazer algo que achei que nunca faria: colocar alguns livros a venda. Estou precisando de dinheiro (e quem não está?) e olhei para alguns livros que estão na minha estante e percebi que provavelmente eles estavam lá só tomando espaço. Alguns eu nem gostava e outros eu sabia  que não releria, então qual era o sentido de continuar com eles? Faz um tempo que eu comecei a encarar o objeto livro de uma forma diferente do que eu encarava há uns dois anos atrás. Antes eu tinha uma vontade compulsiva de comprar TODOS OS LIVROS que eu via - mesmo aqueles que eu não ia gostar tanto e sabia disso. Eu tinha um certo prazer interno em comprar, adicionar na minha coleção e abarrotar a minha estante, aumentar um numerozinho que só eu me importava. Finalmente, percebi que isso tudo era uma GRANDE BOBAGEM.

Vendi todos os livros que me dispus vender (foram oito porque tenho em São Paulo uma coleção mais selecionada), e apesar de ter sido um pouquinho difícil, senti que foi a coisa certa e que preciso fazer isso não só com livros mas com outras coisas também, como roupas, sapatos, objetos, etc. Quero manter aquelas coisas que realmente fazem sentido para mim.


OBJETO (NOVO)
Um novo objeto que entrou na sua vida de um jeito significativo 

Uma das minhas roommates foi para uma cidade vizinha aqui perto chamada Embu das Artes e falou muito bem do lugar. Fiquei curiosa e planejei visita-la na semana santa. No começo pensei em ir sozinha, mas depois de uns dias solitária e meio desolada em casa, resolvi chamar um amigo. A verdade é que eu me acostumei tanto em passar o tempo sozinha que eu não lembrei de que existe a possibilidade de estar com alguém.

Já disse outras vezes que levanto a bandeira de “faço as coisas sozinhas, não deixo de me divertir porque não tenho outra pessoa para faz tal coisa” e gosto de sacudi-la pro alto de vez em quando, pois é gostoso e muito importante apreciar sua própria companhia. Mas eu estava pensando seriamente esses dias se esse comportamento já não estava virando algo que me faz mal e que me afasta das pessoas. Tudo tem que ter um equilíbrio. Por isso, convidei dois amigos para irem comigo, um deles conseguiu e assim partimos para Embu das Artes, uns trinta minutos de São Paulo (pegando o ônibus pelo Butantã).

A cidade tem um centro muito bonitinho e me lembrou bastante as cidades históricas de Minas Gerais (mais conhecidas como as cidades mias lindas do Brasil). Comemos torta holandesa, salgados veganos, comida da mãe de um cara e experimentamos muita cachaça (!). Bem no finzinho fui numa barraquinha de uma francesa que vendia peças de cerâmica de alta temperatura. Foram as peças mais bonitas que vi em toda a feira, e como eu tinha comprado uns incensos, resolvi levar um incensário. Ele é azul, com um desenho lindo de folha e pequeno como a palma da minha mão. Especial por ser meu primeiro incensário, querido por ser um objeto que representa um dia muito legal e, o mais importante, valioso por me lembrar de um momento de autocuidado e mudanças.  

SURPRESA
Uma experiência com forte teor de surpresa ou choque

Bem, a surpresa nada agradável que todos tivemos este mês foi a morte de Marielle. Não tem muito mais para falar sobre o caso do que já foi dito, mas lembro que quando recebi a notícia foi um choque muito grande e a única coisa que consegui pensar em fazer foi ir para a rua. Não me considero militante, mas a energia que aquela manifestação exalou foi incrível. Me arrepiei toda e chorei. Tanto os discursos de diversas pessoas que a conheciam quanto o barulho da bateria me fizeram pensar em tudo o que o nosso país está passando e isso me deu um medo tremendo misturado com raiva.

ENCONTRO
Encontro com estranho ou conhecido que tenha te impactado de alguma forma

Não tive nenhum encontro que exatamente me impactou ou qualquer coisa parecida, mas quando eu cheguei de viagem foi muito bom reencontrar algumas pessoas. Primeiramente, “meus” animais que provavelmente eram as coisas que eu mais sentia falta enquanto eu estava fora. Segundamente, rever o moço que faz meus olhos brilharem e meu coração bater mais forte, um momento muito especial assim como todos que passo com ele (!!!! Alguém me segura pois não consigo!!!!), com direito a conchinha, vinho branco, queijo comte, fotos, amor, gatinho e mais conchinha (a coisa mais importante do universo).

NOITE
Algo memorável que tenha acontecido numa saída noturna

Bem, eu não saio (risos). Porém, posso dizer que pedir uma pizza inteira e comer sozinha foi algo bem memorável que fiz numa noite em que eu queria me dar um presente.

DIA
Um dia significativo passado fora de casa

Foi exatamente no dia primeiro, o último dia da lua cheia anterior e meu último dia em Paris. Fico pensando se bater na tecla dessa cidade pode ser chato, mas não dá para não dizer.

Acordei cedo e fui para Île de la Cité, meu lugar preferido no mundo. Estava muito frio, mas fazia sol, e havia várias gaivotas rondando o Rio Sena. Almocei no bairro Saint Michel e paguei dezoito euros no melhor almoço do mundo: moules como entrada, confit canard como prato principal e créme brulée de sobremesa. Depois passei na ilha do lado e comi um belo sorvete de caramelo salgado. Fui a uns brechós que encontrei no caminho e entrei na Notre Dame. Mas o que mais gostei de fazer foi apreciar o fato de o tempo passar tão devagar, quase como um sopro divino, o que fazia tudo ser tão bonito e melancólico. Um dia feliz.    



SOZINHA
Sobre tempo passado sozinha

Poderia falar do dia em que resolvi ir pra exposição do Basquiat. Ou quando fiquei a noite inteira passando produtos de pele. Poderia falar também desta semana inteira que passei cuidando dos animais e da casa completamente sozinha. E também quando quase virei a noite vendo Gilmore Girls e chorando um pouquinho. Mas vou falar só de passagem do dia em que eu fiquei lendo meu diário de viagem, vendo fotos antigas, pensando na minha família e no que eu quero para minha vida. Esse dia pode ser qualquer um daqueles outros, inclusive pode ser todos, mas achei que valia a pena deixar marcados esses momentos cheios de feelings que são impossíveis de se ter se não for sozinha.  

COM AMIGOS
Sobre tempo passado com amigos

Logo no começo do mês tive a festa mais esperada do ano™, também conhecida como “festa de Aniversário do Lucas e seus crepes maravilhosos”. Ir para lá foi, bem… uma odisséia. Coloquei no uber um endereço e por uma letra parei do outro lado da cidade (risos), mas no final fui com fé e cheguei com duas horas de atraso, mas cheguei. Foi muito gostoso rever todos os meus amigos que não vejo com tanta frequência (uma vez que eles fazem o outro curso, aquele que eu abandonei, que é num horário e em um prédio diferente), além dos crepes, que são maravilhosos, mon amour, je n’ai pas de mots. Além de uns quilos a mais, a festa rendeu ótimas fotos (que podem ser vistas abaixo).

Também tive um jantar com uma amiga muito querida cujo codinome neste blog será Lóri Lóri. Fui conhecer a nova casinha dela aqui em São Paulo e ela fez creme de milho (muito bom), algum molho com pepino (muito, muito bom), batatas na manteiga (ela sabe que eu amo <3), e salada de quinoa (que me fez gostar de quinoa) e fechamos a noite comendo um chocolate muito gostoso que encontrei por seis reais na República.




FILME/TV/LIVROS
Três categorias que revelam como vivemos

Este mês foi o mês que decidi de vez voltar a ser uma leitora assídua. Comecei a sentir falta de ler a todo momento, uma coisa que fui parando gradualmente por causa faculdade. Voltei a ler em pé no metrô, no ônibus, enquanto espero a fila de banco, ou quando estou sem nada pra fazer em casa - e devo te contar que isso está me fazendo extremamente bem. Desde o dia um, li o livro Le Prisonnier du Ciel do Zafón, que foi um livro que ganhei na França, por isso o título está em francês apesar de eu ser brasileira e o livro ser espanhol (!). Foi um romanção bem daqueles de folhetim, que a gente já sabe mais ou menos como as coisas vão acontecer, e bem, foi divertido, mas nada espetacular. Também li O Romance de Tristão e Isolda para a faculdade (Literatura Portuguesa) e gostei muito mais do que achei que gostaria, na verdade, me deu vontade de voltar a ler histórias de cavalaria, um dos meus gêneros preferidos. Agora eu estou na metade de um calhamaço incrível, Helena de Tróia: deusa, princesa e prostituta, que é basicamente um livro de estudos sobre a representação de Helena através do tempo, além de reconstruir mais ou menos como a Helena “real” vivia e como ela era adorada na antiguidade. Encontrei minha vocação acadêmica, finalmente.

Desde que eu voltei da França, na verdade um pouquinho antes de voltar, eu comecei a rever Gilmore Girls. Estava precisando de algo que me confortasse e essa série sempre me traz uma sensação boa. No momento estou indo para a sexta temporada. Estou gostando de rever porque estou olhando para alguns personagens de outra forma, e perdoando um pouco os erros da Rory. Foi nesse tempo também que eu finalmente vi Divertidamente, que sinceramente achei meio mé, e só serviu pra reforçar o meu ranço com o fato da Pixar ganhar sempre todas as premiações mesmo quando ela definitivamente não merece. E, obviamente, continuo vendo Masterchef firme e forte, graças a deus.

ATOS CRIATIVOS

Com certeza o meu maior ato criativo neste mês foi ter a certeza de querer voltar a escrever para o blog. Tive várias ideias para posts e projetos futuros, espero sinceramente que eu não perca a vontade de fazê-los. Voltar a escrever está sendo muito excitante e renovador e quero muito aproveitar este momento de explosão para perder o medo das pessoas e da aprovação delas. Sempre tive muito receio de lerem as minhas coisas, apesar de escrever num blog, um lugar que teoricamente tem que ser lido  ¯\_(ツ)_/¯

E como foi o mês de vocês? 

Um comentário:

Sempre tento responder os comentários. Se quiserem ver a minha resposta, deem um checadinha!! ♥♥♥♥

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